Não é minha praia recomendar filmes... mas...
Se tem um filme perfeito, é esse.
Eu não posso me esquecer.
Na verdade filmes do diretor Kim Ki-duk são perfeitos...
Fica a dica
Minha cena favorita
【Trailer】 3-Iron
【Sinopse/Critica】3-Iron
“Casa Vazia”, de Kim Ki-duk (Primavera, verão, outono, inverno e primavera). Tae-Suk tem um modo bem peculiar de viver: ele prega anúncios de restaurantes nas portas de residências, em determinada região. Depois de um tempo, ele volta e vê quais deles não foram retirados, indicando que o dono pode estar fora. Ele a invade (muito civilizadamente) e confere na secretária eletrônica se a pessoa está viajando ou trabalhando. Confirmada a hipótese, ele se aloja ali: come, toma banho, dorme, usa peças do guarda-roupa, lava suas cuecas, escuta música, vê TV.
Até que, em uma invasão, ele dá de cara com Sun-hwa, uma jovem que apanhou do marido e se tornou prisioneira dentro da própria casa. Ao contrário do que se espera, ela não se assusta e é ele quem sai correndo. Tae-suk, porém, volta, perturbado pelo rosto machucado de Sun-hwa, o marido aparece e ela acaba fugindo com o arrombador. Como ela o havia espionado quando ele invadiu sua casa, Sun-hwa aprende logo o estilo de vida do parceiro e se identifica com ele, sem questionar. Tae-suk sempre tira uma foto ao lado de um porta-retrato do dono da residência que invade. A cena em que Ju-hwan aparece ao lado dele para também estar na foto é impecavelmente engraçada.
E tudo isso sem um único diálogo entre os dois. Sun-hwa só diz uma frase bem no final do filme e são três palavras diretas e econômicas. O entendimento entre eles se dá pelo olhar e pela solidão mútua. O título do filme, “Casa vazia”, é uma metáfora da existência que levamos, mas que não é nossa. Seja Tae-suk habitando espaços que não são dele; seja Sun-hwa, em um casamento que ela não escolheu.
A direção do filme é precisa e detalhista, não deixando dúvidas quanto ao prêmio de melhor diretor, recebido em Veneza, em 2004. Ao final, quando Ki-duk ilustra a estratégia de redenção de seu protagonista, a câmera subjetiva é utilizada de forma funcional e hipnotizante. A ausência de diálogos não faz falta, pois você não tira os olhos da tela. E o final é poético e surpreendente. A segurança e o primor técnico do cineasta não dão espaço aos furos da história. Kim Ki-duk, ao lado de Chan-wook Park (Old boy), mostra que rock pode ser com o Reino Unido, mas no cinema, é a Coréia que tem dado um show.
【Sinopse/Critica - 2】3-Iron
Casa Vazia é uma sutil história de amor, mas é também um caso de amor com o cinema. Kim Ki-duk mostra, aqui, o quanto acredita na câmera. Prova disso é que quase não há palavras neste filme. Os protagonistas, por exemplo, são mudos quase até a cena final e nem por um momento se deixa, por esse detalhe, de acreditar na intensidade de sua história de amor. O que é também um lembrete do quanto o cinema mudo podia ser eficaz e do quanto a falação desenfreada ou o barulho frenético de tantos filmes modernos podem ser inócuos.
Paradoxalmente, mesmo num filme que acredita tanto no olhar, representado por essa câmera que parece onipresente na intimidade de seus personagens, não se revela seus motivos – isso fica por conta da imaginação do espectador, que Ki-duk faz questão de inteligentemente preservar. Não se decifra o que se passa na mente desse jovem, Tae-suk (Jae Hee), que invade pacificamente casas vazias e “paga” sua hospedagem não solicitada com pequenos serviços – conserto de eletrodomésticos, lavagem de roupas, limpeza geral – como um pequeno gênio benfazejo que quisesse provocar a perplexidade das pessoas comuns, presas à rotina e à normalidade do trabalho e das férias.
O anjo solitário encontra sua parceira numa mulher, Sun-hwa (Lee Seung-yeon). As marcas no rosto dela deixam claro o tipo de casamento em que ela está aprisionada. A sugestão de liberdade trazida por Tae-suk mostra-se irresistível.
Na prisão, o rapaz não se abate – treina intensivamente para tornar-se invisível, intrigando seu violento carcereiro, que acha que pode quebrar-lhe o espírito maltratando-lhe o corpo. Assim, Ki-duk cria uma metáfora poderosa das possibilidades do cinema que se escondem mesmo fora do quadro, remetendo a tudo aquilo que o olhar do cinéfilo “vê”, mesmo não estando exatamente ali.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
3-Iron
Palavras desconexas ©2008 por Skye Suicide às 8:42:00 PM
Marcadores: 3-Iron
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